Fernando Pessoa: A minha pátria é a língua portuguesa

Tenho escolhido Fernando Pessoa porque gosto muito da literatura. Não conheço muitas coisas sobre a literatura portuguesa mas tenho ouvido falar de Fernando Pessoa. Era a oportunidade para mim de descobrir a sua vida e a sua obra.

Fernando Pessoa foi um poeta, filósofo, critico e escritor português do século vinte. É considerado como um dos maiores poetas da língua portuguesa e da literatura universal e também como um representante importante do modernismo lusitano. Foi um poeta trilingue: tenho escrito e traduzido textos em português, inglês e francês.

Nasceu em Lisboa em 1888 (mil oitocentos oitenta e oito). A sua infância e adolescência foram marcadas por eventos que tinham tido uma grande influencia sobre a sua vida. Em 1893, quando o Fernando tinha apenas cinco anos, o pai morreu como vítima de tuberculose. Em 1895, a mãe casa-se pela segunda vez com o cônsul de Portugal em Durban (África do Sul). Então, Pessoa passa a maior parte da juventude em África do Sul e recebe uma educação inglesa. Através a sua educação britânica, tem um profundo contacto com a língua e a literatura inglesa. Os seus primeiros textos e poemas foram escritos em inglês. Pessoa demonstrou desde cedo um talento para a literatura.

Aos dezassete anos, regressa definitivamente à Lisboa. Continua a escrever poemas em inglês e matricula-se na Faculdade de Letras à Lisboa, mas abandona o curso sem completar o primeiro ano. É nesta época que entra em contacto com importantes escritores portugueses. Por exemplo, interessa-se pela obra de Cesário Verde e pelos sermões do Padre António Vieira. Foi também influenciado pelo simbolismo francês. Mais tarde, se torna tradutor técnico de correspondência comercial em Lisboa, onde sus conhecimentos de inglês são muito úteis. Ao mesmo tempo, publica seus primeiros poemas em inglês.

Obra poética e heterónimos

A obra de Pessoa é múltipla e elaborada e passou por diferentes fases mas envolve sempre a procura de um certo patriotismo perdido. A sua poesia tem um certo ar mítico, heroico e às vezes trágico.

Pessoa mostrou muito pouco de seu trabalho em vida. Mensagem é uma colectânea de poemas sobre as grandes personagens históricos portugueses. Este foi o único livro de Pessoa em língua portuguesa editado em vida. Os outros livros publicados em vida são três colectâneas de poemas ingleses.

Em 1915, participou na revista literária Orpheu, a qual lançou o movimento modernista em Portugal, causando algum escândalo e muita controvérsia. Os poemas publicados na revista escandalizaram a sociedade conservadora da época porque era uma poesia irritante, com intenção de provocar os burgueses. O modernismo significa também o rompimento com o passado. O vanguardismo da revista inspirou movimentos literários na literatura portuguesa.

Uma curiosidade de Pessoa é a criação dos seus heterónimos que atravessa toda a sua obra e o que reflete um escritor enigmático. Os heterónimos são diferentes dos pseudónimos: são personalidades poéticas com características literárias diferenciadas.

Assim, Pessoa foi vários poetas ao mesmo tempo. Cada poeta que convivia nele tem seu mundo próprio e representa o que encantava ou angustiava Pessoa. Através de seus heterónimos, Pessoa conduziu uma profunda reflexão sobre a relação entre verdade, existência e identidade.

Estes heterónimos são ainda hoje objeto da maior parte dos estudos sobre sua vida e sua obra. Os heterónimos mais conhecidos são:

  • Alberto Caeiro (da Silva): fazia poesias de forma simples, direta e concreta. Era o mais objetivo dos heterónimos porque buscava o objetivismo absoluto. Opunha-se radicalmente ao intelectualismo, à abstração e ao misticismo.
  • Álvaro de Campos: engenheiro português de educação inglesa, influenciado pelo simbolismo e futurismo. Representava o lado “moderno” de Pessoa, caracterizado por uma vontade de progresso.
  • Ricardo Reis: médico que escrevia suas obras com simetria e harmonia. Representava o classicismo de Pessoa. Gostava muito da cultura latina, da mitologia greco-romana e era adepto do estoicismo e do epicurismo.
  • Bernardo Soares: considerado como um semi-heterónimo. Era o mais próximo do autor. É importante porque é o autor do Livro do Desassossego, obra literária importante do século XX. Segundo Pessoa, isto livro é uma autobiografia sem feitos.

Pode-se dizer que a vida de Pessoa foi uma constante divulgação da língua portuguesa. Disse também: “a minha pátria é a língua portuguesa”.

 

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